Dirigir o novo hatch voltou a ser uma experiência prazerosa, como na sua época mais elogiada
FastDriver
Como um time de futebol, não adianta ter uma escalação perfeita se as coisas não funcionam em campo. Muito se falou do novo Gol: que ele seria mais moderno, que o acabamento seria melhor, que teria muitos equipamentos, que seria um marco de design e por aí afora. No entanto, não foram poucos os casos de carros bonitos na teoria e ruins de mercado.
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Fomos ver se o novo hatch faz jus às mudanças recebidas. Diante dele, a primeira constatação é que o carro parece mais largo do que é. Puro engano: suas dimensões são praticamente as mesmas do antigo – ele é até menor em comprimento (4 cm) e a altura é quase 4 cm maior. Na largura e no entreeixos são apenas milímetros. Ainda assim o espaço no banco traseiro é bem mais generoso – segundo a VW, são 4,4 cm a mais.
A razão para a boa impressão talvez seja o visual de carro de categoria maior. As linhas, sobretudo na lateral, remetem a carros mais caros. No entanto, há de se dizer que o Gol fica muito melhor equipado – a versão 1.0 deixa a impressão de faltar muita coisa no acabamento. Ou seja, o aerofólio traseiro tinha de ser item obrigatório mesmo, para não deixá-lo apático.
Ao sentar no banco do motorista, duas coisas chamam a atenção: a posição de dirigir está mais alta e mais natural. Quem tem Gol anterior sabe que ficamos deslocados do volante. Na versão 1.0, o painel e o acabamento são bons, mas não nos deixam esquecer que se trata de um carro popular. E aí vai uma dica, quem for comprá-lo, faça uma forçinha e leve o kit Trend, que traz a chave canivete, melhor acabamento nas portas e conta-giros, entre outros.
Já o 1.6 ficou muito bom. Pena que aí o carro esbarra no preço de um Polo mais básico. O acabamento é um dos melhores que vimos em carros básicos e que usam plásticos em excesso. O console central é simples, mas funcional e bem superior ao do Fox, por exemplo. O painel de instrumentos é a cara da Volkswagen e recupera um detalhe que o Gol G4 dispensou ao usar o equipamento do Fox.
Com ABS, airbag, ar-condicionado e o computador de bordo I-System, o modelo agrada muito.
Em movimento
A Volkswagen já deveria ter descoberto antes que a solução para o Gol anterior estava ali mesmo, dentro da fábrica. Chama-se Polo e sua plataforma PQ24. Moderna e bem construída, a base mostrou seu valor no Fox e agora o faz no Gol, que foi mais longe e antecipou a suspensão dianteira e a coluna de direção da plataforma PQ25, sua sucessora.
O resultado é um carro prazeroso de dirigir, com respostas ágeis, direção firme e suspensão que apóia nas curvas sem ser desconfortável. Literalmente, recuperou as características do Gol, que sempre teve boa imagem nesse sentido.
Com os novos motores VHT, que ganharam taxa de compressão maior e recursos para serem mais econômicos, o novo Gol ganhou em desempenho e economia, segundo so números da VW. A versão 1.0, embora 77 kg a mais, é mais veloz na aceleração, na velocidade final, e faz mais quilômetros com um litro de combustível tanto na cidade quanto na estrada.
Status na bagagem
Curiosamente, o novo Gol, apesar da plataforma nova, manteve o mesmo espaço no porta-malas – 285 litros. Apenas o tanque cresceu, de 51 para 55 litros. Mas o melhor “equipamento” deverá ser o status. Sem dúvida, o novo Gol tende a desfrutar daquele diferencial que alguns modelos no mercado possuem, como o EcoSport,o Civic e Tucson, por exemplo. Estamos falando daquele desejo despertado nas pessoas que os vêem nas ruas, independentemente de ser um veículo bom ou ruim. É uma espécie de efeito iPhone: todos acabam vendo nele a referência de mercado.
A torcida agora é que as marcas rivais façam o mesmo com seus já antigos concorrentes e o consumidor de hatches nesta faixa de preço se beneficie de produtos melhores.
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