O jipinho EcoSport, da Ford, chega ao mercado com visual e acabamento modificado
FastDriver
Quando foi lançado, em 2003, o EcoSport pegou o mercado automobilístico de surpresa. Sabia-se que a Ford planejava uma família de carros baseada no novo Fiesta (introduzido um ano antes), mas ninguém imaginava que o modelo faria tamanho sucesso a ponto de deixar as concorrentes perdidas – até hoje, quase cinco anos depois, nenhuma delas criou um veículo semelhante.
O EcoSport se deu bem por uma razão simples: entregou exatamente o que o público desejava, ou seja, um automóvel com visual de jipe, mas fácil de dirigir e que proporcionava um certo respeito aos ocupantes devido ao seu porte.
Nem mesmo as críticas ao seu acabamento simplório e a capacidade limitada de andar em estradas de terra – o objetivo primário de um veículo assim – colaram no Ford e as vendas saltaram à casa das 3 000 unidades mensais. Por muito tempo, o modelo foi o utilitário mais vendido do país, uma estatística distorcida já que ele não é usado para esse fim: seu público é quase totalmente de consumidores das grandes cidades que mal saem do asfalto mesmo no fim de semana.
Mesmo vendendo bem ainda, o Eco não tem se aproveitado do crescimento do mercado nos últimos dois anos. Seu pico de vendas foi em 2005, com média mensal de 3 790 unidades, que caiu para 3 500 este ano. Juntando isso ao fato de ele estar há bastante sem atualização, motivaram a Ford a mexer em seu visual e acabamento.
Inspiração da Land Rover
A receita usada nele foi a mesma do Fiesta, introduzida no começo deste ano. Atualizar a frente do veículo, modificar pouco a traseira e melhorar a percepção de qualidade do interior. Entretanto, o resultado foi melhor que o do compacto: por fora, o EcoSport ganhou um ar de Land Rover Frrelander, guardadas as proporções. Os novos faróis de dupla parábola, combinaram com a grade dividida por uma barra horizontal. Os pára-choques dianteiro e traseiro também estão mais agressivos e modernos e o capô com um vinco pronunciado na frente. Na traseira, a única mudança foi a lanterna com elementos circulares ressaltados.
As transformações no interior foram mais agressivas ainda. O painel foi redesenhado, com novos direcionadores de ar, painel de instrumentos e console central. Volante e manopla de câmbio também têm desenho novo, mas ergonômico e agradável. Há até opção de controle satélite de rádio atrás da direção. Outra mudança bem-vida foram os acionadores dos vidros elétricos do tipo “push-pull”, de melhor qualidade e funcionamento. Ah, sim, para variar, o marcador de combustível digital virou peça de museu.
Não visíveis mas importantes foram os reforços no acabamento com o intuito de reduzir o ruído a bordo, além de evitar futuros rangidos das partes plásticas internas.
Impressão “in loco”
Ao vivo, o EcoSport ficou bem resolvido. É daquelas reestilizações em que os designers estão em dia de sorte afinal mexer em projeto original sempre corre-se o risco de piorar o que poderia estar apenas cansado. Por dentro, a impressão é boa em alguns sentidos, mas a quantidade de plásticos e a sensação ao toque continuam deixando a desejar – estamos falando de um veículo que custa a partir de R$ 49 680.
O conjunto mecânico da versão avaliada (1.6 XLT) mostra-se ágil em trechos urbanos graças ao reescalonamento da 1ª e da 2ª marchas. Em compensação, a Ford alongou as demais marchas para manter um nível de rotação adequado na estrada que, aliás, não é seu ambiente favorito.
O nível de ruído parece menor, é verdade, mas o Eco é o tipo de veículo que somente depois de muitos quilômetros pode-se saber do sucesso das medidas tomadas para melhorar esse aspecto. Além dessas modificações, o Ford teve o freio modificado para atuar mais cedo, e os pneus passaram a ser Scorpion ATR, da Pirelli, nas versões Freestyle, XLT e 4WD.
Pacote de mudanças gratuito
A Ford foi sensata e não alterou a tabela de preços da família. Ou seja, o novo EcoSport, que já está nas concessionárias, custa a partir de R$ 49 680 na versão XL 1.6 e via até R$ 69 160 na versão 4WD 2.0 automática.
Sozinho no mercado, com visual atual e proposta intacta, o EcoSport ainda dará muito alegria à Ford. Certamente suas vendas voltarão aos melhores níveis que só não serão maiores porque a fábrica de Camaçari, na Bahia, trabalha no limite de produção.
Pesquise veículos novos no site
Fichas técnicas, equipamentos, desempenho