Veículos feitos no país asiático ganham espaço no mercado brasileiro
Veracruz, a nova aposta da Hyundai
FastDriver
Houve um tempo em que ter um carro sul-coreano era motivo de piada por aqui. Seja porque a maior parte dos veículos importados na década de 90 tratava-se das famosas vans de passageiros, entre elas a Besta, a mais famosa delas, ou então de alguns automóveis com cores inusitadas, fruto da falta de produtos adequados para exportação.
Após um período de ostracismo aqui no Brasil, Hyundai e Kia, as principais marcas sul-coreanas, voltaram com força no mercado e hoje desfrutam de uma posição nunca antes experimentada, a de dividir segmentos de veículos com montadoras mais tradicionais.
O maior aprendizado aconteceu no exterior, principalmente nos Estados Unidos, onde a oferta de veículos cada vez mais sofisticados e confiáveis – além de baratos, é claro – conseguiu vencer o receio inicial dos norte-americanos aos seus modelos.
Com a lição absorvida, de oferecer modelos específicos para cada mercado, o grupo Hyundai-Kia (que há anos uniu as duas marcas) investiu numa linha de montagem na Europa, a mais recente frente de batalha dos coreanos.
2º importado mais vendido
Em nosso país, os passos são mais lentos, mas nem por isso menos impressionante. A Hyundai, por exemplo, representada pelo grupo Caoa, grande revendedor da marca Ford, tem em sua linha de modelos o 2º veículo mais importado do Brasil, o utilitário esportivo Tucson.
Espécie de EcoSport mais luxuoso, o Tucson acumula quase 4 000 unidades vendidas no 1º semestre, número só superado pelo mexicano Fusion, da Ford, com cerca de 6 000 carros no mesmo período. Seu irmão maior, o Santa Fe, também faz um bom papel na faixa dos R$ 165 000, competindo com os mais consagrados como Grand Cherokee, da Jeep, Pajero, da Mitsubishi, e Freelander, da Land Rover.
A Kia, cuja gestão é feita pelo Grupo Gandini, por sua vez, preferiu brigar também entre os automóveis de passeio, além dos utilitários esportivos. Para isso, traz ao Brasil o Picanto, um mini-compacto urbano que é o importado mais barato do país. Também vende o Cerato, um sedã médio, e o Magentis, concorrente do Honda Civic, que andou vencendo comparativos na mídia especializada.
Curiosamente, o Sportage, cuja geração anterior vendia até que bem, perdeu espaço para o seu clone, justamente o Tucson, e hoje venda apenas 10% do que o Hyundai consegue. A Kia agora tenta reverter essa situação com um preço mais acessível.
Fábrica no Brasil
Mas os sul-coreanos não se contentam com pouco. A Hyundai lançou no mês passado um novo modelo, o crossover Veracruz, misto de perua com utilitário esportivo, cujo lançamento mundial foi feito no Salão do Automóvel de São Paulo, no ano passado. Seu preço será de R$ 175 000.
A tacada mais ousada, no entanto, é a fábrica que o grupo Caoa inaugurou este ano em Goiás, por enquanto apenas para montar kits enviados da Coréia do pequeno caminhão Porter. O projeto, porém, inclui a montagem de utilitários esportivos em breve, um sinal que a Coréia do Sul, ante a promessa chinesa, já é uma realidade.
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