Sedã não te conquistará, mas vai surpreender quem não considera só a beleza exterior
Fast Driver
Renault Logan 2011
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| Preço | |
|---|---|
| R$ 30.190 | |
| Categoria | |
| sedã compacto | |
| Capacidade | |
| 5 passageiros | |
Dados técnicos |
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| Velocidade máxima | |
|---|---|
| 160 km/h | |
| 0 a 100 km/h | |
| 14,3 segundos | |
| Consumo urbano | |
| 11,5 km/l | |
| Potência | |
| 76 cv | |
| Torque | |
| 9,9 kgfm | |
| Porta-malas | |
| 510 litros | |
Veja ficha técnica completa |
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Rodrigo Mora
Um carro muda a vida de muita gente. De uma marca, inclusive. Foi graças ao Logan que a Renault deixou de ser “elitista” para ser “generalista”, como define Christian Pouillaud, Vice-Presidente Comercial da empresa. Essa mudança de postura é que sustenta a montadora no 5º lugar no ranking nacional – entre as new commers, ela é a primeira, ficando atrás somente de Fiat, VW, GM e Ford. Portanto, chegou a hora de retribuir ao Logan tudo o que ele já fez pela Renault.
Na linha 2011 do sedã, a montadora francesa melhorou (mas não resolveu) sua principal característica negativa e manteve o que o carro tem de melhor. Ou seja, deu ao Logan um visual mais amigável, mas ainda distante da beleza, e não mexeu no preço, no valor das revisões e na exclusiva garantia de três anos. Se em 2009 o sedã fechou com 30.131 unidades vendidas, é provável que neste ano ele supere os 35.000 emplacamentos esperados pela Renault e conquiste os 7% de mercado desejados pela montadora.
Logan para todos
Quem compra um Logan pensou, em primeiro lugar, na família. Nada de aperto no banco traseiro e porta-malas de sobra para longas viagens. Mas o esforçado pai que abriu mão de um compacto mais descolado é retribuído com uma posição de guiar correta. Mesmo com ajuste apenas de altura para banco e volante, o condutor se acomoda facilmente. Os bancos acolhem bem mesmo os mais altos e obesos, enquanto o volante tem boa pegada. Um detalhe chama atenção na ergonomia: o pedal da embreagem é deslocado mais à esquerda, fazendo com o que o motorista o acione da maneira correta. Na maioria dos compactos, é preciso deslocar a perna para a direita, movimento que qualquer fisioterapeuta condenaria. Os comandos estão à mão, ainda mais agora que os botões dos vidros elétricos foram parar nas portas – seu suporte raspa na perna de quem vai na frente, mas ainda assim a mudança foi positiva. Nos bancos de trás, somente os filhos de um Avatar reclamariam de espaço.
Espartano, mas honesto
Internamente, o Logan recebe seus ocupantes com simplicidade, mas sem tratar mal. Percebe-se o corte nos custos por todos os lados: no painel com a mesma luz de seta para as duas direções, na maçaneta interna traseira, que “nasce” da própria porta; e no excesso de plástico. Em contrapartida, o revestimento dos bancos é agradável, o rádio tem bom funcionamento e o isolamento acústico está dentro do aceitável. Não há o aconchego de um hotel cinco estrelas, mas é tão honesto quanto uma pousada no interior.
Por R$ 2 500 a mais
Leve o Logan 1.6 8V. A versão avaliada, com bloco 1.0 16V de 76/77 cv, tem desempenho adequado para o uso urbano. Mas é difícil imaginar esse sedã com cinco passageiros e a bagagem de cada um deles numa longa viagem. Certamente o motorista vai chegar ao seu destino um tanto estressado e cansado, tamanha a quantidade de vezes que terá que reduzir as marchas em ultrapassagens ou simplesmente para manter o ritmo em leves subidas. O ouvido de todos também agradecerá: a 120 km/h, rodamos a 4.000 rpm, rotação que enche a cabine de barulho. No 1.6, caímos para 3.500 rpm.
O Logan não é um carro prazeroso de dirigir. Mas também não é ruim. A direção não é arisca, mas também não tem respostas muito lentas; o giro do motor cai demais a cada troca de marcha, mas o câmbio tem engates macios; a suspensão não é refinada, mas oferece boa estabilidade para quem não abusa.
Ou seja, trata-se de um carro que não foi feito para agradar ou emocionar, mas tem, escondido sob um desenho áspero, as qualidades exatas que o consumidor de sedãs nessa faixa de preço busca. E é melhor levar para casa um automóvel que logo de cara já mostra qual é sua principal deficiência e que depois vai surpreendendo pelas virtudes, do que um modelo que, sob uma casca melhor elaborada, camufla fraquezas que nem mesmo um belo design compensa.
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